sábado, 26 de maio de 2012

Realidade e Sonho


(Imagem: Divulgação)
 
O palhaço vagabundo conhece a bailarina. Sonho e lembrança, então cutucados pela melodia da caixinha de música que o palhaço traz na mala, dominam o personagem, que vê passar o trem na estação. O cenário, aliás, se presta como poucos à mistura de saudade, paixão e sonhos com a nostalgia que os trens costumam despertar.

O tema não é novo. O confronto entre realidade e sonho instiga a criatividade desde sempre. É fácil rir e sonhar, quando a corda sensível da imaginação é tocada de maneira simples, com sutileza e técnica. Com maestria. Ainda que o riso tenha berço em fraquezas inerentes à condição humana.

Fraqueza nada, condição só. Mas essa resistência em admitir o que nos pareça mais conveniente manter oculto é que, ao final, pode acabar dando em arte. Principalmente se a tudo se adicionar porção adequada de ingenuidade pura, irretocada, da criança que, ainda em traços e mesmo sem o saber,  todos trazemos num canto qualquer de nós mesmos.

E é ela – essa criança – que cria e se deliciará com o encantamento de figuras como as de um palhaço-realidade e uma bailarina-sonho. Porque o ato simples de sonhar “o sonho” só será possível se o sonhador tiver sabedoria e coragem de encarar-se, rindo e fazendo rir de suas fraquezas. Melhor: de sua condição. De nossa humana condição.

A peça O Palhaço e a Bailarina - Dois mundos, uma história de amor, que o ator e diretor Fabrício Sereno e a bailarina clássica Melissa Travagini estrearam em Juiz de Fora, Minas, dificilmente será vista nos grandes centros – o que é uma pena. Mesmo não se tratando de rica produção, apresenta caprichosíssimos figurinos elaborados por Olga Travagini, mãe da bailarina, assim como elementos de cena, iluminação e trilha sonora que se ajustam à proposta. A peça já caiu no agrado dos primeiros e privilegiados espectadores que puderam assisti-la em pré-estréia.

Um grito da bailarina é tudo o que, de voz humana, se ouvirá durante o espetáculo. De resto, a leveza, a graça, a emoção, e até a clássica luta entre palhaços calçando grandes luvas de boxe – tudo se passa numa atmosfera que, sem nenhum esforço ou complacência, envolve integralmente uma platéia silenciosa e encantada. 

O Palhaço e a Bailarina – Dois mundos, uma história de amor  não é só mais uma peça teatral: ela vai além também ao desviar o espectador  de temas relacionados a conflitos, polêmicas e tantas amarras a que somos atados em rotina de desentendimentos, violência, enganos e desenganos, com muita freqüência levados aos palcos ou incansavelmente explorados pela mídia.

Apoiados por elenco de bailarinas e atores dedicados ao melhor resultado do espetáculo (que tem o amparo de uma lei municipal de incentivo à Cultura), Fabrício Sereno e Melissa Travagini despontam em Juiz de Fora com um teatro inteligente, limpo e de estética agradável – resultado de esforço pessoal sem limites e amor pelo que fazem.

Alguém escreveu certa vez, referindo-se aos espetáculos circenses, que o show deve continuar ainda que o palhaço chore e a bailarina erre o passo. Aqui, no entanto, em lugar do choro do palhaço ou do passo errado da bailarina, o que se verá é um tocante show de Fabrício Sereno e Melissa Travagini. 

Que, é bom lembrar, está apenas começando.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Herói Malói


 
(Imagem: Flickr, do álbum de warrenski)

 
Enquanto aguardo na fila do guichê da operadora de telefonia para ser atendido, ouço o falatório que me leva a refletir sobre o crescente grau de ansiedade a que nós, pobres seres humanos, somos submetidos. Porque mais do que falar muito, estamos falando alto, contando de nós e de nossas vidas seja ao vizinho de paciente espera, pelo celular ou no transporte público.

Ali atrás duas mulheres conversam com grande familiaridade iniciada a partir da pergunta que uma delas fez à estranha, assim que chegou:

- A senhora está na fila?

- Estou.

Foi o suficiente para que se travasse um caloroso diálogo acompanhado de largos gestos, e que já passou pela péssima situação das calçadas, dos buracos nas ruas, dos horários irregulares dos ônibus, até que tangenciou o preço de tudo nos supermercados. Em seguida, ancorou-se a conversa por um tempo na questão da saúde (as duas têm parentes internados em hospitais da cidade) para, logo depois, chegarem cada uma a seu ambiente familiar: é então a vez de falar dos maridos, dos filhos, do desemprego...

Atrás delas, o homem de chapéu arrisca palpite sobre a falta de trabalho, e fala de parentes em situação difícil – introdução fácil ao tema recorrente da corrupção.

- É um absurdo! - diz, indignado.

- Falta de vergonha desses políticos... - emenda uma das mulheres.

- É complicado... sentencia o primeiro, antes de dar início à exposição de seu próprio calvário de aposentado que enfrenta fila, etc. e tal.

À minha frente, uma jovem segura na mão direita o celular e uma lixa de unhas, com a qual vai aparando arestas invisíveis das obras de arte desenhadas pela manicure. Até que o aparelho dá sinal e ela reparte conosco, os companheiros de fila, informações de sua agenda do dia e de sua expectativa para a balada de logo mais. E avisa que, saindo dali, irá à casa da amiga Renatinha para combinar a festa do Bruno.

A funcionária da companhia cochicha algo com o segurança, que avisa a todos que façam o favor de organizar melhor a fila porque o atendimento vai começar. Lá atrás, o homem de chapéu já está às gargalhadas com as duas mulheres, que contam suas aventuras durante uma esticada de feriadão a uma praia do Espírito Santo.

Atentas, outras duas mulheres que chegaram por último discutem algo sobre roupinhas de bebê. Uma delas, com jeito humilde e tímido, puxa de uma sacola apenas uma ponta de tecido que acabara de comprar, com o qual pretende costurar algo para o neto de quatro anos.

- Vou fazer pra ele uma capa de herói Malói... É uma figura que ele inventou, diz que precisa de capa pra voar, mas sai correndo pela casa com minhas toalhas de rosto amarradas no pescoço.

A outra sorriu um sorriso breve e disse que precisamos mesmo de um herói que nos livre um pouco de tanto vilão. Concordei com ela em meu silêncio. 

Então a fila andou.

sábado, 19 de maio de 2012

Ilunga, arikapu e abigobel


(Imagem: Flickr, do álbum de Andrea_b.)




Existe em Nova Delhi, sul da Índia, um monumento carregado de mistério. Trata-se do Pilar de Ferro que, embora datado do século IV, acredita-se ter mais de quatro mil anos. Erguido para homenagear o rei Chandra, a peça é uma haste com 40 centímetros de diâmetro e 7,5 metros de altura.

Objeto de análises contraditórias (há quem o perceba imerso em escuro silêncio quanto às origens e à técnica utilizada para sua produção), o monumento sobrevive à língua – traço mais forte e capaz de preservar parcela insubstituível do conhecimento humano. Foi o que aconteceu em relação a idiomas como o Panônio, o Ligúrio, o Piceno, o Dácio, o Umbro e o Falisco. Deste, por exemplo, restaram cerca de 200 inscrições breves, procedentes dos séculos IV e III a.C. Em uma delas – foied uino pipato cra carefo – seu autor nos legou a solidão expressa no significado de uma frase triste: hoje beberei vinho, amanhã nada terei.

Segundo estudiosos, não é o desaparecimento das línguas que provoca surpresa, mas a velocidade com que essas mortes acontecem. Para que passe de uma geração à outra, uma língua deve ser falada por, pelo menos, 100 mil nativos. Há especialistas, no entanto, que creem na extinção, antes do ano 2100, de algo entre 3 mil e 6 mil línguas em todo o mundo.. 

Desastres naturais, guerras e razões políticas são fatores importantes no desaparecimento de um idioma. Há alguns anos a Unesco considerava em agonia, entre outros, o udihe, falado na Sibéria; o eyak, no Alasca, e o arikapu, falado em algum lugar na Floresta Amazônica, no Brasil. Naquela ocasião, uma centena de pessoas falava o udihe, meia dúzia o arikapu e apenas uma – Marie Smith, então com 83 anos de idade – seria capaz de se comunicar em eyak.

Mas se morrem as palavras, há quem lhes registre o nascimento. Um exemplo é o potiguar Kadmo Donato, bugueiro, e que já tem publicados dois dicionários contendo palavras em uso no Rio Grande do Norte. Como abigobel (leso, sem atenção), borréia (sem qualidade) e caningar (chatear).

Clarice Lispector referiu-se, certa vez, a um “espanar a poeira que se acumula sobre a linguagem”. É também o que fazem os poetas, que acariciam palavras, tecendo com elas cantos capazes de levá-las através do tempo. Ainda que sejam palavras indevassáveis como as que compõem lista elaborada por uma empresa britânica, que relacionou as de mais difícil tradução, na opinião de mil tradutores profissionais.

É claro, saudade está na lista. Mas é apenas a sétima entre dez. A primeira e de tradução mais difícil é ilunga, da língua tshiluba, uma das quatro faladas na República do Congo. A palavra aplica-se a uma pessoa disposta a relevar qualquer maltrato a primeira vez, a tolerar a reincidência, mas a não suportar o tratamento pela terceira vez.

Apesar de tantas vezes maltratadas (haja vista o que se lê na internet, por onde se chega a pensar se o fim do idioma não será antecipado), felizmente palavras não são ilungas. E, caso ocorra sua extinção plena, derrotada por bips, grunhidos e balbucios indecifráveis, ainda assim sobreviverá a que mais se emprega em todo o mundo: a palavra eu.

(Texto reeditado, publicado originalmente em Pretextos-elr em 12/11/2009)

terça-feira, 15 de maio de 2012

Ana


(Imagem: Flickr, do álbum de Lights in the Old...)


Abriu a porta da garagem pela manhã e deu com um carro estacionado bem em frente, impedindo sua saída. Esperou pelo motorista, mas atrasado para o trabalho, decidiu fazer um bilhete e prendê-lo ao limpador de parabrisas: “Você me impediu de sair. Em consideração, deixo de solicitar o guincho”.

Ao chegar em casa no final do dia, o homem encontrou, metido numa fresta da porta, um papel cuidadosamente dobrado: “Sinceras desculpas! Tive problemas com Michelle e fiquei aflita. Um abraço. Ana”.

O bilhete de Ana (nome de sua primeira namorada) transparecia familiaridade, calor humano e, além do mais, exalava perfume suave. Mesmo por escrito, era impossível ficar indiferente a uma saudação que, nascida de um pedido de desculpas, fosse desembocar num abraço, levando o destinatário a supor até um sorriso da remetente. Não conhecera Ana que fosse feia ou desagradável. Com aquela, portanto, não seria diferente.

Já amplamente desculpada, a motorista que bloqueara sua saída inquietara-lhe a solidão. Insone, ficou supondo Ana, desejando que o carro da mulher novamente estivesse lá na manhã seguinte, bem em frente à sua porta. Esperaria para conhecer a motorista, perguntaria por Michelle, trocaria impressões sobre o tempo. E, claro, relevaria o novo bloqueio com a desculpa de que não iria ao escritório.

Rabiscos de esperança mal haviam começado a colorir os dias daquele solitário, e logo foram  se apagando: nenhum carro impedindo sua saída da garagem, nenhuma Ana, nenhum novo bilhete que substituisse aquele, cuja releitura freqüente já marcara o papel com rugas e dobras. A cada exame de seu conteúdo, o homem descobria entrelinhas com insinuações sutis, convites, acenos – tudo mais que suficiente para transformar um bilhete casual em apaixonadíssima carta de amor.

Ana só apareceria numa fila de supermercado poucos meses mais tarde, quando o homem já praticamente esquecera o bilhete no fundo de uma gaveta. Soube que era ela pela beleza, pelo perfume e pelo nome de Michelle, que aquela visão chamava a todo momento pedindo calma à criança que trazia consigo.

Com o coração aos pulos, seguiu a mulher até o carro, onde a abordou identificando-se como o autor do bilhete que anunciara dispensa do guincho em consideração... Ela se lembrava ainda?

- Ah, sim, mas isto foi em frente à casa do meu amigo Roberto Almeida, ali na Rua Cascais, né?

. Rua Cascais, 95... – o homem respondeu à meia voz.

- Isto!

- Mas eu não sou o Roberto Almeida. Só comprei a casa dele...

Ana sorriu com um traço de timidez e pediu desculpas ‘em dobro’: pelo bloqueio da garagem e pelo engano no ‘tom familiar’ com que redigira o bilhete. Em seguida, entrou no carro e, antes de partir, recomendou a Michelle que desse ‘um adeusinho pro moço’.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Definições


(Imagem: Flickr, do álbum de J'adore Allure)


Recolho pela internet um apanhado de tentativas de definição do que seja felicidade. A forma afirmativa sugere que o humano objetivo de ser feliz já tenha sido alcançado por uma multidão. Que, se ainda não chegou lá, está trabalhando pra isso.
Começa-se por definir felicidade uma palavra de dez letras e um tema permanente. Há quem ache que não é nada disso, mas uma medida meteorológica ou uma questão de prefixo. “Felicidade é química”, afirma alguém. Outro alguém consegue ser hermético: “felicidade é C9”.
Que teria levado felizes seres humanos a concluírem que felicidade é uma caixinha (ou uma coisa) pequena, um cachorrinho fofo, uma boa biblioteca, um fogão novo, comprar um telefone celular ou um maço de cigarros? “Felicidade é flor” – define, em maiúsculas, possivelmente um empresário bem sucedido do ramo da floricultura.
Sou informado também, a esta altura da caminhada, que felicidade é chuva que cai na madrugada, é susto, é arma quente e fumegante. É ainda vida e seu maior tesouro. É paz, é pão, é um café quente, é a liberdade de poder chegar em casa e tirar os sapatos.
Começo a suspeitar, diante do que leio, que para ser feliz é preciso ter os pés no chão, pois me dizem que felicidade não só é a conquista do mundo, como é deste mundo. Outros afirmam que ela é sincera, breve, contagiosa e para sempre. “Felicidade é minha natureza essencial”, confessa um ser felicíssimo.
Insisto na pesquisa, para descobrir que felicidade é certeza, “é coisa que não tem”, é uma questão de intensidade, decorrência do prazer, saber cair nas tentações e na real. A alguém que sofre, felicidade é sentir a angústia dos desconhecidos. É uma gama de emoções, é pra quem sabe ser feliz. Felicidade é tudo.
Inseguro, um internauta quer saber se felicidade é sinal de burrice. Mas os que o sucedem não trazem dúvidas, mas a segurança das afirmações que me advertem que felicidade não bate à porta, não é posição – é direção – e é também uma família reunida ou uma foto dessa reunião.
Felicidade é ter sua amizade, é estar com Vocês, é ter o Céu no coração, é Cristo, é a submissão a Deus e um estado de espírito – aprendo ainda. Antes que me dê por suficientemente informado, ainda leio de relance que a felicidade é azul, é isso, é Você.
Felicidade é o que desejamos. Com esperança.

(Texto reeditado, originalmente publicado em Pretextos-elr em 23/07/2009)

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Eterno enquanto dure

(Imagem: Flickr, do álbum de Claudia Emanuela)


A jovem acomodou-se em uma mesa de canto na lanchonete, pegou o celular e ligou para o namorado.

- Saudade...

Começou então uma conversa à meia voz, entremeada de sorrisos. Relembrou momentos 'inesquecíveis', vividos durante um passeio no dia anterior. De repente, o clima romântico terminou com um salto na cadeira, seguido de uma pergunta em tom que denotava surpresa:

- O quê? Eu?

A partir daí, a moça desfiou um sem-número de 'tá louco", "quê-que-é-isso" e "inacreditável". Liberou também alguns “é complicado”.

- Quem te disse isso?

Soube então que o denunciante fora o pai do namorado.

- Como é que ele pode ter certeza de que era eu? Impossível, eu só fui lá na pracinha e comi um cachorro-quente porque eu gosto...

Silêncio e olhos arregalados.

- Imagine... Como as pessoas são falsas e inventam coisas! Agora eu estou com o moral lá embaixo e nem fiz nada...

Não havia sinais de sofrimento, mas de indignação. Do outro lado da linha, o interlocutor insistia em que alguém testemunhara quando a moça, já madrugada alta, passara em frente à casa do namorado e dera "uma abaixadinha" para não ser vista.

- Abaixadinha? Eu? Nunca vi tanta falsidade! Essa gente cria, inventa porque é invejosa, sei lá....

Decidida a não dar mais apartes ao namorado, a injustiçada passou a enfileirar argumentos e testemunhos, lembrando e relembrando promessas antigas. Meteu a mão na bolsa e tirou de lá uma penca de chaves, passando a agitá-las no ar.

-Ué, mas você tem a chave do portão lá de casa, só não tem a da porta... Podia aparecer, tocar a campainha e ver que eu estava lá.

O tom de voz modificara-se, a fisionomia denunciava tensão.

- Quer saber de uma coisa? Vá trabalhar, melhor mesmo a gente dar um tempo. Eu, hein...

Antes que a garçonete lhe estendesse o cardápio, a moça levantou-se e foi saindo, apressada.

Na rua, fez sinal para um táxi e desapareceu no trânsito.

domingo, 29 de abril de 2012

Perdas


(Imagem: Flickr, do álbum de twain shall meet)



A historiadora discorria sobre a Segunda Guerra Mundial, quando disse que dois dos principais legados do conflito à Humanidade foram a dor e a esperança. A primeira, pela constatação do quanto podemos ser cruéis; a segunda, pela expectativa em não mais repetirmos os mesmos erros.

A que outros pigmentos, se não à dor e à esperança, a raça humana recorre para compor sua extraordinária e, a um só tempo, trágica história? Idéias, realizações, momentos, conquistas – nada acompanha tão perseverantemente cada passo que damos como essas companheiras que, abraçando-nos, se entrelaçam.

Poema épico do século XI diz que muito aprendeu quem bem conheceu o sofrimento. “Quando se pede a Deus o sofrimento, há sempre a certeza de ser atendido”, escreveria muito mais tarde o francês Léon Bloy.

Mas a experiência – que o escritor Pedro Nava definiu certa vez como um carro cujos faróis estão voltados para trás – tem voz a que somente ouvidos atentos e corações curtidos pelo sofrimento conseguem captar e compreender. Poderosos auxiliares que, associados à fé, nos falam do mistério da dor e do refrigério da esperança.

Ainda que não o admitamos, nossos passos serão sempre vacilantes como nossas certezas. Até que as perdas ponham diante de nós mais uma vez a dor e a esperança – mas então em trajes de saudade.

Doloroso ponto final de uma história que termina. Aos olhos da fé, no entanto, um salto de esperança para o começo de uma esplendorosa e insuperável realidade.